Com duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) o Conselho da Paz da Faixa de Gaza, órgão criado por sua administração para supervisionar a pacificação da região e conduzir a reconstrução do território palestino.
O anúncio foi feito durante uma cerimônia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. No evento, Trump voltou a exaltar ações de seu governo e contou com a presença de cerca de 20 dos 60 líderes mundiais convidados a integrar o Conselho, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado para participar do órgão, mas ainda não respondeu oficialmente ao convite.
Em seu discurso, Trump classificou o momento como um “dia muito empolgante” e voltou a atacar a ONU. “Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou. Apesar das críticas, disse que o novo Conselho irá dialogar “com muitos outros, incluindo a ONU”.
“Quando esse Conselho estiver completamente formado, poderemos fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as Nações Unidas”, declarou.
Segundo Trump, a proposta inicial é concentrar os trabalhos na Faixa de Gaza, que, de acordo com ele, será “desmilitarizada e lindamente reconstruída”. O presidente norte-americano assinou, durante a cerimônia, o documento que formaliza a criação do Conselho, acompanhado por outros membros convidados que estavam no palco.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também discursou e afirmou que o Conselho será um órgão “não apenas da paz, mas da ação”.
Na mesma ocasião, o conselheiro e genro de Trump, Jared Kushner, apresentou o plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza. Trump chegou a comentar que a região é “uma ótima locação para o mercado imobiliário”, por estar próxima ao mar.
Entenda
O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Donald Trump com o objetivo de atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, podendo futuramente se envolver em outros conflitos internacionais.
De acordo com o estatuto do órgão, Trump terá mandato vitalício como presidente e amplos poderes de decisão. Países interessados em obter um assento permanente deverão pagar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões), recursos que serão administrados diretamente pelo presidente dos Estados Unidos.
A iniciativa, no entanto, gera preocupação na comunidade internacional, que teme que o Conselho da Paz funcione como uma espécie de “ONU paralela”, enfraquecendo o papel e a legitimidade da Organização das Nações Unidas.